Leonardo Avalanche é acusado pelo MPE por fraude, violência política e associação criminosa após áudios indicarem proximidade com a cúpula da facção
O empresário e presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche (PRTB) é alvo de denúncia do Ministério Público Estadual (MPE-SP) por elo com uma organização criminosa. A Justiça de São Paulo aceitou a queixa e tornou réu o então candidato à vice-presidente da chapa liderada por Pablo Marçal. Avalanche é acusado de crime de associação criminosa, violência política e uso de dados falsos em sistema público.
Mais uma vez as “caras” do partido estão no centro da justiça e do debate eleitoral. Além dos crimes levantados pelo MPE-SP à Avalanche, uma série de acusações graves que envolvem fraudes na estrutura do partido a investigações sobre vínculos com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) apontam para o empresário.
Mais crimes
Segundo investigações do MP paulista, o presidente do PRTB chefiou uma operação ilegal para assumir o poder pleno da legenda durante a eleição interna, em fevereiro de 2024, com fraudes de identidade de membros, documentos e assinaturas.
O MPE detalha que o esquema da eleição de Avalanche foi a partir de uma encenação fraudulenta: o grupo recrutou várias de pessoas que se passarem por sócios fundadores do partido e utilizavam documentos falsificados e as assinaturas nas atas oficiais foram fraudadas.
“Para garantir a vitória, houve o recrutamento de dezenas de pessoas que se passaram falsamente por fundadores da agremiação”, apontou o MP-SP no texto da denúncia recebida e atendida pelo Judiciário.
Acusações de violência política, intimidações e ofensas misóginas
Os crimes levantados pelo MPE contra Leonardo Avalanche não param por aí. Logo que assumiu o comando do PRTB, o político articulou a expulsão de oponentes de dentro da legenda, com alvo direto a então vice-presidente nacional do partido, Rachel de Carvalho.
Na ação penal movida pelo MP-SP, que corre sob segredo de justiça, inclui também crimes de violência política contra a mulher, intimidações, ofensas misóginas e ameaças diretas de morte de Leonardo Avalanche contra Rachel.
Segundo a denúncia, a fim de concretizar o afastamento dos adversários dentro do partido, Avalanche e outros denunciados usaram as senhas do sistema para filiar seus oponentes de forma indevida em outra legenda, o Mobiliza, fazendo gerar o cancelamento automático dos registros no PRTB.
As mudanças foram inseridas dentro dos dados oficiais de cada pessoa alvo de Leonardo Avalanche, mas com datas retroativas para forçar a legalidade. Desde então, Rachel contesta na Justiça Eleitoral a filiação fraudulenta ao Mobiliza feita em seu nome pelo grupo denunciado.
Aliança ao PCC
O desgaste em torno de Leonardo Avalanche cria mais força e capilaridade com a divulgação de gravações em que ele próprio afirma ter vínculo com a cúpula do PCC. Essa afirmação foi gravada durante um almoço dos
Em áudios gravados durante um almoço do dirigente do PRTB com os correligionários. Nele Avalanche se gaba da influência que exerce sobre a facção. “Eu sou o cara que soltou André”, afirmou o presidente do partido. O nome citado trata-se de André do Rap, apontado por autoridades como um dos que comandam o tráfico internacional ligado ao PCC. Atualmente ele está foragido.
Nessa mesma conversa, o candidato à vice-Presidência da República afirma que seu motorista particular mantém vínculo com Francisco Antônio Cesário da Silva, o “Piauí”, ex-chefe do PCC em Paraisópolis (SP). Leonardo Avalanche nega qualquer envolvimento com atos ilegais ou facções criminosas.
Patrimônio de Leonardo Avalanche
A situação financeira do prersidente do PRTB também chamou atenção da Justiça. Em sua declaração de bens enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Leonardo Avalanche informa que detém mais de R$ 495 milhões, sendo que 99% desse patrimônio total está em criptomoedas.
O valor representa ainda, um salto estratosférico de 847 vezes em relação ao patrimônio declarado em 2018. Em oito anos ele saiu de R$ 379,8 mil para exatos R$ 495.224.296,00 (495,2 milhões).
O processo criminal agora segue em fase de instrução, em que as partes e o juíz reúnem as provas necessárias para esclarecimentos dos fatos. Em paralelo, o TSE acompanha o desenrolar do caso e juntar às análises sobre o registro da candidatura de Leonardo Avalanche.
A direção do PRTB e a defesa de Avalanche afirmam que o dirigente é inocente e elegam que as decisões internas do partido seguem o estatuto da legenda. Reforçam ainda que as acusações são motivadas por política.


