Rio Branco, AC 13 de agosto de 2026 12:56
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Rio Acre cai abaixo de 2 metros pela primeira vez em 2026 na capital do Acre

Manancial marcou 1,98 metro nesta quarta-feira (12), em meio ao avanço da estiagem e à irregularidade das chuvas em Rio Branco

O Rio Acre caiu abaixo da marca de dois metros pela primeira vez em 2026 em Rio Branco. O manancial registrou 1,98 metro na medição das 5h desta quarta-feira (12), confirmando a tendência de redução observada desde o início de agosto.

A baixa ocorre em meio ao agravamento da estiagem no Acre. Na terça-feira (11), a Prefeitura de Rio Branco decretou situação de emergência diante da redução das chuvas e dos níveis dos rios, com risco de comprometimento do abastecimento de água. No início do mês, o governo estadual também havia adotado medida semelhante diante da possibilidade de desabastecimento hídrico.

Rio sai de cenário de cheia para nível crítico

O atual cenário contrasta com o registrado no início do ano. Em janeiro, o Rio Acre ultrapassou a cota de transbordo em Rio Branco por duas vezes: nos dias 14 e 31. Durante a última enchente, o manancial chegou a 15,44 metros e atingiu aproximadamente 12 mil pessoas.

Mais de seis meses depois, a realidade é completamente diferente. Em 1º de agosto, o rio marcou 2,18 metros. No dia 7, houve uma pequena recuperação, com o nível chegando a 2,79 metros. A partir daí, porém, o manancial voltou a baixar até atingir a marca de 1,98 metro nesta quarta-feira.

A medição também se aproxima da menor cota histórica registrada na capital, de 1,25 metro, alcançada em setembro de 2024.

Chuva intensa não é suficiente para reverter estiagem

Apesar dos 27,8 milímetros de chuva registrados na madrugada de terça-feira, o volume não foi suficiente para alterar o cenário de seca. A precipitação corresponde a cerca de 60% da média prevista para todo o mês de agosto, estimada em 46,5 milímetros.

Para o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, o problema está na irregularidade das precipitações.

“Da maneira como se dão essas chuvas, totalmente irregulares, ela não muda o cenário crítico e hídrico da nossa região”, explicou.

Segundo Falcão, as chuvas rápidas provocam pouco impacto sobre o solo, além de poderem causar transtornos como alagamentos e ventanias.

Na segunda-feira (10), por exemplo, um vendaval destelhou três casas e derrubou uma árvore no bairro Belo Jardim I, no Segundo Distrito de Rio Branco. Conforme a Defesa Civil, as rajadas chegaram a 65 km/h. Ninguém ficou ferido.

Primeiro semestre teve mais chuva, mas distribuição foi irregular

Em julho, o Rio Acre perdeu 40 centímetros e entrou na faixa dos dois metros. No dia 1º daquele mês, o manancial estava em 2,58 metros. Um mês depois, a medição havia caído para 2,18 metros.

Nos três primeiros dias de agosto, o rio perdeu mais 12 centímetros e chegou a 2,06 metros, então a menor marca do ano. Agora, com 1,98 metro, o nível permanece em trajetória de queda.

A Defesa Civil Municipal alerta para a possibilidade de agravamento da estiagem nas próximas semanas, com a intensificação do período seco e a previsão de influência do fenômeno El Niño.

Embora o primeiro semestre de 2026 tenha sido mais chuvoso do que o mesmo período de 2025, a distribuição das precipitações foi considerada irregular. Entre janeiro e junho, Rio Branco acumulou 1.557,5 milímetros de chuva, volume 18% superior aos 1.321,2 milímetros registrados nos seis primeiros meses do ano passado.

Grande parte desse acumulado, contudo, foi influenciada por episódios isolados de chuva intensa, que não foram suficientes para afastar a previsão de uma estiagem mais severa nos próximos meses.

A maior diferença ocorreu em janeiro, quando a capital registrou 644,5 milímetros, contra 190 milímetros no mesmo mês de 2025. Março também teve aumento, passando de 259,9 para 365,6 milímetros.

Em maio, o acumulado subiu de 73,4 para 81 milímetros e, em junho, saltou de 29,1 para 106 milímetros.

Por outro lado, fevereiro e abril registraram redução. Em fevereiro, Rio Branco acumulou 114,4 milímetros, contra 411,1 milímetros no mesmo mês de 2025. Em abril, foram 245,9 milímetros, abaixo dos 357,6 milímetros registrados no ano anterior.