Rio Branco, AC 4 de julho de 2026 12:43
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Caso Maiko: Atendente é indiciada por morte de homem após aplicar injeção em farmácia no Acre

Maiko Oliveira França morreu em 22 de março, quatro dias após aplicação de medicamento na região dos glúteos em Tarauacá. Três meses depois, inquérito foi concluído e mulher deve responder por homicídio culposo

A funcionária de uma farmácia de Tarauacá, no interior do Acre, foi indiciada por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) após aplicar uma injeção intramuscular em Maiko Oliveira França, de 31 anos. Após o procedimento, ocorrido em 18 de março, ele teve uma piora e morreu devido a um quadro de infecção generalizada, no dia 22 do mesmo mês, em Cruzeiro do Sul.

Ao g1, o delegado responsável pelo caso, José Ronério, informou que o caso agora segue com a Justiça. O nome do estabelecimento e da mulher não foram divulgados e, por este motivo, a reportagem não conseguiu contato com a defesa. “O inquérito policial foi encaminhado ao judiciário com indiciamento”, complementou.

Sobre o indicamento, ocorrido mais de três meses depois, a viúva de Maiko, Soraya Neri, afirmou ao g1 que espera por justiça pela morte do marido. “Minha filha chora direto procurando pelo pai dela e eu, sem saber o que fazer, só tento acalmar ela. Mesmo assim ela se desespera dizendo que quer o papai dela. Queremos que ela pague pela negligência e imprudência que fez com meu esposo”, complementou.

Contexto: Maiko morreu após apresentar complicações graves nos dias seguintes à aplicação de uma medicação injetável aplicada na região do glúteo. A causa da morte foi apontada como sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos como rins e fígado. O caso é investigado pelo Ministério Público (MP-AC) e apurado pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC).

Soraya compartilhou ainda que, após a perda do marido, a situação não está fácil. Ela precisa se desdobrar para prover o sustento de casa, já que ele era o principal mantenedor das despesas.

“Sou desempregada, minha renda é apenas o bolsa família com valor baixo que nao da de manter meus filhos como o pai deles mantinha. Para tudo era ele que fazia de tudo para ver seus filhos bem […] Nada trará meu marido de volta, mas a impunidade nao reinará. Seguiremos firmes por justiça, principalmente pelo meu bebe que nao vai conhecer o pai, vai crescer sem o amor do papai dele”, desabafou.

Familiares de Maiko Oliveira França, de 31 anos, protestaram no dia 30 de março no centro de Tarauacá — Foto: Cedida

Caso Maiko

Conforme a família, Maiko procurou o estabelecimento no dia 18 de março após sentir tonturas. No local, ele teria pedido orientação sobre qual medicamento deveria tomar e, após recomendação de uma atendente, recebeu uma injeção intramuscular aplicada na região do glúteo.

De acordo com relatos de familiares, a aplicação foi feita por uma mulher que seria filha dos proprietários da farmácia. A medicação teria sido administrada mesmo após o paciente demonstrar hesitação inicial.

Nos dias seguintes, o quadro de saúde de Maiko piorou. Ele voltou à farmácia no dia 19 com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico. Já no dia 20, apresentou agravamento dos sintomas, incluindo hematomas e dor intensa, e procurou atendimento médico no hospital da cidade.

Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá e, devido à gravidade, foi transferido via aérea para Cruzeiro do Sul. Ele chegou ao Hospital Regional do Juruá em estado crítico e morreu no dia 22 de março.

O MP-AC instaurou, no dia 26 do mesmo mês, procedimentos nas áreas criminal e cível para apurar as circunstâncias da morte. O CRF-AC também apura as circunstâncias do caso junto aos órgãos de justiça.

O homem deixou três filhos, de 10 anos, 8 anos e um bebê de um mês, além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. Na época, a família chegou a fazer um protesto pedindo justiça e celeridade nas investigações.