Medida emergencial autorizada pela Prefeitura entra em vigor nesta quarta-feira (1º) para reforçar o transporte coletivo enquanto parte da frota permanece fora de circulação. Serviço fará o trajeto entre bairros e Centro com tarifa de R$ 5 por passageiro
A Prefeitura de Rio Branco iniciou, nesta quarta-feira (1º), a operação emergencial do serviço de táxi-lotação como alternativa para minimizar os impactos da redução da frota do transporte coletivo. A medida foi adotada após a apreensão judicial de 38 ônibus da Ricco Transportes e Turismo, ocorrida na madrugada de terça-feira (30).
Coordenada pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), a operação permitirá que taxistas regularizados transportem passageiros nos percursos entre bairros e Centro, e no sentido inverso. A tarifa foi fixada em R$ 5 por passageiro, por trecho, valor superior à passagem de ônibus, que continua em R$ 3,50 para o público em geral e R$ 1 para estudantes.
Como vai funcionar
Segundo a RBTrans, o embarque e desembarque dos passageiros ocorrerão em frente à Galeria Cunha, na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro, nas proximidades da Praça do Estádio José de Melo.
O superintendente da autarquia, coronel Marcos Roberto da Silva Coutinho, informou que uma portaria regulamentará, em caráter excepcional, a atuação dos taxistas cadastrados durante o período de emergência.
A autorização permanecerá válida enquanto a frota de ônibus seguir reduzida. A RBTrans reforçou que algumas linhas continuam operando, porém com número limitado de veículos, e orientou os usuários a acompanhar os horários e utilizar apenas táxis devidamente regularizados, alertando que haverá fiscalização para combater o transporte clandestino e cobranças irregulares.
Crise no transporte
A adoção do táxi-lotação ocorre em meio à crise provocada pela apreensão de parte da frota da Ricco. Desde a retirada dos veículos de circulação, passageiros enfrentam longas filas, ônibus lotados e aumento no tempo de espera.
Os transtornos chegaram a afetar o funcionamento da Universidade Federal do Acre (Ufac), que suspendeu as aulas de graduação nesta quarta (1º) e quinta-feira (2) devido às dificuldades de deslocamento de estudantes e servidores.
A situação acontece poucos dias antes do encerramento do contrato emergencial da Ricco com a Prefeitura de Rio Branco. A empresa será substituída pela JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos Ltda., responsável pela nova operação do transporte coletivo na capital.
Passageiros divergem sobre a medida
A implantação do táxi-lotação dividiu opiniões entre os usuários.
A agricultora Maria Honório, moradora do bairro Sobral, contou que esperou mais de 30 minutos pelo serviço após sair de um atendimento no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para ela, a alternativa ainda não resolveu o problema da demora.
“Achei que seria mais rápido do que ir ao terminal para esperar o ônibus, mas já estou aqui há mais de meia hora. O que era para ajudar acabou atrapalhando.”
Já a cozinheira Elizângela da Silva avaliou que o serviço tem sido essencial para quem precisa chegar ao trabalho.
“Desde cedo não aparecia ônibus. O táxi compartilhado foi a solução para não chegar atrasada. Achei a medida boa, porque ajuda quem depende do transporte nesse momento.”
Entenda a decisão judicial
A crise teve início após a Justiça do Acre cumprir mandado de apreensão contra parte da frota da Ricco Transportes e Turismo. A decisão prevê a retirada de até 50 ônibus da empresa, dos quais 38 já foram apreendidos.
Segundo o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), a medida atende a uma carta precatória expedida pela Justiça do Distrito Federal, que determinou a reintegração de posse dos veículos pertencentes às empresas Transportadora São José do Tocantins e Expresso São José Ltda. A ação decorre de uma dívida da Ricco estimada em quase R$ 3 milhões.
A empresa informou que pretende recorrer da decisão. Já a RBTrans afirmou que está adotando as medidas judiciais cabíveis para assegurar a continuidade do serviço público.
Esta não é a primeira vez que a Ricco enfrenta problemas judiciais envolvendo sua frota. Em julho de 2024, 16 ônibus também foram alvo de busca e apreensão por determinação da Justiça de São Paulo devido ao atraso no pagamento do financiamento dos veículos.


