Rio Branco, AC 23 de maio de 2026 13:16
HOME / GERAL / Profissionais da limpeza pedem apoio de manifestantes para manter Praça da Revolução limpa

Profissionais da limpeza pedem apoio de manifestantes para manter Praça da Revolução limpa

Movimento da educação municipal de Rio Branco começou no dia 20 de maio e tem aumentado o trabalho de garis e Margaridas responsáveis pela limpeza do espaço público

Quem ensina cidadania também pode ensinar pelo exemplo. Desde o dia 20 de maio, professores e servidores da educação municipal de Rio Branco estão em greve por tempo indeterminado, com concentração na Praça da Revolução, em frente à Prefeitura. O movimento, legítimo e garantido pelo direito de manifestação, tem reunido trabalhadores da rede municipal em defesa de suas pautas.

Mas, enquanto a mobilização segue, outro grupo de servidores públicos também tem sentido os reflexos da ocupação do espaço: os profissionais da limpeza urbana. Garis e Margaridas que atuam diariamente na região central relatam que o trabalho dobrou nos últimos dias por causa do acúmulo de resíduos deixados na praça, nos monumentos e no chão, mesmo com a reposição de sacos nas lixeiras.

Logo nas primeiras horas da manhã, as equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade fazem a limpeza do espaço, recolhem o lixo e organizam a área para garantir melhores condições de uso à população. No entanto, ao longo do dia, novos resíduos acabam sendo descartados em locais inadequados, exigindo retrabalho dos servidores.

A situação levou a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade a fazer um apelo por bom senso, educação ambiental e respeito ao espaço público. O secretário Tony Roque destacou que a gestão não é contra manifestações, mas reforçou que o direito de protestar deve caminhar junto com o dever de preservar a cidade limpa.

“Nós não somos contra qualquer manifestação. É direito do cidadão, é direito do funcionário. Agora, eu aproveito a situação para nós somarmos e levarmos bons exemplos. O destino do resíduo sólido é na papeleira, é na caixa de coleta. O Gari e a Margarida trabalham continuamente, faça sol, faça chuva. Nós, que somos da administração pública, temos que mostrar bons exemplos”, afirmou o secretário.

Tony Roque também alertou que o descarte irregular de resíduos causa danos ao meio ambiente e pode configurar infração ambiental.

“É uma questão de bom senso e educação ambiental. Não se deve destinar resíduo em lugar inadequado, porque isso contamina o meio ambiente. Nós fazemos esse apelo para que a população não polua e sempre coloque o resíduo sólido no local correto”, reforçou.

Entre os profissionais que atuam diretamente na limpeza da praça está a Margarida Léia da Silva. Segundo ela, o serviço aumentou desde o início dos protestos, e o pedido é simples: mais colaboração de quem utiliza o espaço.

“Depois que começaram esses protestos aqui, o trabalho dobrou. Nós estamos aqui para limpar, fazer a nossa parte, mas eles também precisam fazer a parte deles. É só ter um pouco de consideração e nos ajudar na limpeza, não ficar jogando lixo no chão”, disse Léia.

A servidora afirmou ainda que as lixeiras são mantidas com sacos e que a equipe faz a reposição diariamente. Mesmo assim, parte dos resíduos continua sendo deixada fora dos locais adequados.

“A gente recolhe toda a lixarada da lixeira, repõe outros sacos, não deixa lixeira sem saco. Mas, mesmo assim, ainda encontramos muita sujeira. Por serem professores, deveriam dar um bom exemplo”, completou.

A Praça da Revolução é um dos principais espaços públicos da capital acreana e recebe diariamente trabalhadores, estudantes, comerciantes, manifestantes e moradores que circulam pelo Centro. Para os profissionais da limpeza, manter o local limpo é uma responsabilidade compartilhada.

Mais do que uma questão de limpeza, o pedido é por respeito aos trabalhadores que começam o dia cuidando da cidade e por coerência com a educação cidadã que os próprios educadores ajudam a construir dentro das escolas.