Vereador afirma que silêncio e omissão favorecem violência contra crianças e adolescentes
O vereador André Kamai voltou a defender um debate sério sobre educação sexual e proteção da infância durante uma fala pública em apoio a organizações sociais que atuam no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Para Kamai, o tema ainda sofre ataques e distorções por parte de setores conservadores, enquanto milhares de crianças seguem expostas à vulnerabilidade e ao abuso.
“Muita gente tenta criminalizar a ideia de educação sexual, transformar a educação sexual numa ideia de levar informações indevidas às crianças, quando na verdade nós precisamos preparar as crianças para não serem vítimas de abuso”, afirmou o parlamentar.
Em sua fala, Kamai destacou que a maioria dos casos de violência acontece dentro de casa ou em ambientes próximos das vítimas, o que exige coragem política e ação efetiva do poder público. Segundo ele, tratar o tema como tabu apenas fortalece o ciclo de violência e silenciamento. “Crianças têm infância perdida, absolutamente perdida, por conta dessa vulnerabilidade e desse tipo de violência que sofrem cotidianamente. E pior: na absoluta maioria das vezes em casa”, declarou.
O vereador também criticou discursos que tentam relativizar casos de exploração infantil e casamento envolvendo menores de idade. Sem citar nomes, Kamai lembrou que figuras públicas já chegaram a defender relações entre adultos e meninas adolescentes sob justificativas culturais. “Não existe cultura na nossa sociedade que justifique um casamento entre uma menina de 12 anos e uma pessoa de 50 anos. Nós já vimos políticos defendendo isso. Não pode mais acontecer”, disparou.
Kamai também reforçou que campanhas de conscientização e o trabalho de organizações sociais são fundamentais, mas insuficientes sem investimento estatal e políticas permanentes de proteção à infância. “A luta ajuda, coloca isso no centro da pauta, mas se quem tem poder, se o poder público não assumir isso efetivamente, nós não vamos conseguir superar esse problema”, afirmou.
O parlamentar ainda defendeu que o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes precisa deixar de ser um debate periférico e passar a ocupar espaço central nas prioridades do município, do estado e do governo federal. Segundo ele, enfrentar o tema exige coragem política, responsabilidade institucional e compromisso real com a proteção da infância.


