Rio Branco, AC 29 de abril de 2026 16:21
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Acusado de assassinar ex na frente da filha é condenado a mais de 50 anos de prisão no Acre

Jairton Silveira Bezerra foi condenado pela morte de Paula Gomes da Costa, de 33 anos. Júri terminou no início da noite desta terça-feira (28) na Cidade da Justiça

Jairton Silveira Bezerra, de 46 anos, foi condenado a mais de 50 anos de prisão por matar a ex-mulher Paula Gomes da Costa, de 33 anos, na frente da filha e por não aceitar o fim do relacionamento em outubro de 2024. O resultado do júri popular saiu no início da noite desta terça-feira (28) Cidade da Justiça, em Rio Branco.

Jairton foi condenado a 54 anos de prisão em regime inicial fechado por feminicídio, qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima na presença de descendente com intenção de matar em contexto de violência doméstica. Ele não pode recorrer da sentença em liberdade.

Contexto: Jairton assassinou a ex-companheira a facadas, na frente da filha de 6 anos no bairro Alto Alegre em Rio Branco, em 27 de outubro de 2024, após não aceitar o fim do relacionamento. O ex-marido também já havia agredido a vítima em outras ocasiões e descumpriu a medida protetiva que ela tinha.

A defesa do acusado confirmou que vai recorrer da sentença porque a pena foi acima do esperado.

O julgamento estava marcado para ocorrer na última sexta (24), contudo, foi adiado e remarcado para esta terça.

Ao g1 pela manhã na Cidade da Justiça, a família de Paula cobrou justiça com cartazes e blusas com a foto dela e relembrou a violência do crime.

“Minha irmã era uma pessoa muito querida na família, era de casa para o trabalho, do trabalho para casa. A saudade vem e fica um buraco, ainda mais quando olho para a filha dela que escreve o nome da mãe por todo o quarto da minha mãe. Está sendo um pesadelo muito grande”, disse Cristina Silva, irmã de Paula.

Patrícia Silva, também irmã de Paula, disse que a condenação traz um sentimento de justiça à família. Contudo, ela queria uma pena maior. “Vai pagar pelo crime que cometeu, justiça foi feita de alguma forma”, resumiu.

Processo

Em janeiro de 2025, a Justiça aceitou a denúncia do MP e tornou Jairton réu no processo. Em junho do mesmo ano, o juiz Alesson Braz decidiu que ele fosse a júri popular, por entender que haver indícios suficientes para que o caso seja julgado pelo Conselho de Sentença.

À época, a defesa tentou mudar a acusação para homicídio qualificado, mas o pedido foi negado. Também foram rejeitados os pedidos para que o acusado respondesse ao processo em liberdade ou tivesse a prisão substituída por outras medidas.

Já em novembro, a defesa de Jairton teve negado o recurso que pedia a retirada da qualificadora de feminicídio, para que ele fosse julgado apenas por homicídio qualificado. A primeira audiência chegou a ser adiada em maio do ano passado.

Feminicídio

Paula foi brutalmente esfaqueada na frente da filha de 6 anos em via pública de Rio Branco. Em janeiro do ano passado, a Justiça recebeu denúncia do Ministério Público do Acre (MP-AC) e, com isso, ele virou réu no processo.

Jairton, que era gerente em uma loja de tintas da capital acreana, fugiu após o crime. Ele foi casado com Paula por 13 anos e já tinha agredido a vítima em outras ocasiões, o que fez com ela tivesse conseguido uma medida protetiva contra ele.

O acusado se entregou à polícia no dia 6 de novembro na Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, 10 dias após o crime. Logo em seguida, foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para prestar depoimento.

Ele teve um pedido de liberdade ou substituição de prisão por medidas cautelares negado em dezembro de 2024. No início de abril de 2025, teve negado outro pedido de benefício da Justiça gratuita e exclusão no processo da agravante de que o crime foi cometido na frente da filha do casal.

No pedido, a defesa alegou à época, a ausência dos requisitos legais para manutenção da prisão. O suspeito também utilizou a filha como argumento, mesmo sendo apontado como o culpado por tirar a vida da mãe dela e fazer com que testemunhasse o crime.