Manancial marcou 13,10 metros manhã deste domingo (26), segundo a Defesa Civil de Cruzeiro do Sul. Transbordamento também atinge Marechal Thaumaturgo
Pela quinta vez em quatro meses, o Rio Juruá ultrapassou a cota de transbordo e atingiu 13,10 metros na medição da manhã deste domingo (26), em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O índice é 10 centímetros acima do nível de transbordamento, fixado em 13 metros.
O último transbordo ocorreu no dia 30 de março, há quase um mês, quando o manancial marcou 13,31 metros e atingiu oito bairros e oito comunidades rurais. Na ocasião, o Rio Juruá permaneceu nesta marca por mais de uma semana.
O pico da cheia foi registrado no dia 3 de abril, quando o manancial atingiu 14,10 metros e afetou mais de 28 mil pessoas, o que totalizou 7.087 famílias em 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas.
Conforme o coordenador da Defesa Civil do município, Júnior Damasceno, no momento está sendo feito somente o monitoramento da situação.
“Caso o rio suba mais ainda, então colocamos o nosso Plano de Contingência para fazer as nossas ações [para a população que for afetada pelas águas]”, explicou.
Ainda conforme o coordenador do órgão, não há nenhuma intervenção feita, pois não há retirada de pessoas de casa ou pedido de suporte por parte da população.
O transbordo do Rio Juruá ocorre após um período de vazante que havia permitido o retorno de famílias desabrigadas para casa na última quarta-feira (8).
O pico da cheia foi registrado no dia 3 de abril, quando o manancial atingiu 14,10 metros e afetou mais de 28 mil pessoas, o que totalizou 7.087 famílias em 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas.
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
A cheia do manancial, registrada no início de abril, afetou bairros e comunidades do município e fez com que 59 famílias fossem levadas a abrigos montados na cidade, bem como outras três levadas a casa de parentes.

A elevação provocou alagamentos, retirada de moradores de áreas de risco, suspensão no fornecimento de energia elétrica para parte das famílias e interrupção no abastecimento de água potável.
O aumento do Rio Juruá também tem impactado o município de Marechal Thaumaturgo. Ao g1, a Defesa Civil da cidade informou que as águas subiram tanto que cobriram a régua de medição, impossibilitando o acompanhamento do nível do manancial.
Além do Rio Juruá, a Defesa Civil de Marechal Thaumaturgo, detalhou ainda que os rios Amônio, Tejo e Bajé também transbordaram. Em uma publicação em uma rede social, o prefeito do município, Valdelio Furtado, afirmou que as equipes da gestão estão mobilizadas para garantir a segurança e assistência das famílias atingidas.
De acordo com ele, alguns locais já apresentam vazante, porém nos bairros da Serraria e da União, a situação é mais preocupante. “Temos uma equipe de prontidão para, a qualquer momento, atender a nossa população. E que a população também nos informe imediatamente, caso precise do nosso atendimento, vamos estar sempre à disposição”, disse.
Decreto de emergência
Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) do último domingo (5) e reconhecida pelo governo federal em 14 de abril.
O decreto cita emergência de nível 2 e abrange as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. Após a publicação, a medida também foi reconhecida pelo governo federal.
Estes municípios estão com os respectivos rios em situação de emergência, atingindo a cota de alerta ou transbordamento, ou em estado de atenção por receberem influências de outros mananciais.

Histórico das cheias
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal. Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há quase dois meses, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.
Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.


